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définition - Recife

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Recife

                   
Município do Recife
"Veneza Brasileira"
"Mauritsstad", "Mauriceia", "Cidade Maurícia"
A partir da esquerda: Marco Zero; Recife e suas pontes; Vista aérea da Praia de Boa Viagem; Praia de Boa Viagem; Torre de Cristal; e o Rio Capibaribe.

A partir da esquerda: Marco Zero; Recife e suas pontes; Vista aérea da Praia de Boa Viagem; Praia de Boa Viagem; Torre de Cristal; e o Rio Capibaribe.
Bandeira do Recife
Brasão do Recife
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 12 de março
Fundação 12 de março de 1537 (475 anos)
Gentílico recifense
Lema Ut luceat omnibus (Que a luz brilhe para todos)
Prefeito(a) João da Costa Bezerra Filho (PT)
(2009–2012)
Localização
Localização do Recife
Localização do Recife em Pernambuco
Recife está localizado em: Brasil
Localização do Recife no Brasil
08° 03' 14" S 34° 52' 51" O08° 03' 14" S 34° 52' 51" O
Unidade federativa  Pernambuco
Mesorregião Metropolitana do Recife IBGE/2008[1]
Microrregião Recife IBGE/2008[1]
Região metropolitana Recife
Municípios limítrofes Jaboatão dos Guararapes, São Lourenço da Mata, Camaragibe, Paulista e Olinda.
Distância até a capital 2 220 km[2]
Características geográficas
Área 217,494 km² [3]
População 1 546 516 hab. IBGE/2011[4]
Densidade 7 110,61 hab./km²
Altitude 4 m
Clima Tropical As'
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH 0,807 elevado PNUD/2011[5]
PIB R$ 24 835 340 mil (BR: 17º) – IBGE/2009[6]
PIB per capita R$ 16 058 89 IBGE/2009[6]

Recife é um município brasileiro, capital do estado de Pernambuco. Pertence à Mesorregião Metropolitana do Recife e a Microrregião de Recife. Com uma área de aproximadamente 217km2, está localizado às margens do oceano Atlântico, e possui uma população de 1.536.934 pessoas. É sede da Região Metropolitana do Recife, a maior aglomeração urbana do Nordeste brasileiro e quinta maior do país, com 3,7 milhões de habitantes.[7] Classificada pelo IBGE como uma metrópole regional,[8] o Grande Recife é a área metropolitana de maior densidade populacional do Nordeste brasileiro e terceira mais densamente habitada do país, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro, além de possuir a quarta maior rede urbana do Brasil em população.[9]

A metrópole desempenha um forte papel centralizador em seu estado e região, abrigando grande número de sedes regionais e nacionais de instituições e empresas públicas e privadas, como o TRF da 5ª Região, a SUDENE, a Superintendência Regional Nordeste da Infraero, a TV Globo Nordeste, a Eletrobras Chesf, a Queiroz Galvão, entre outras, e com uma área de influência que abrange outras capitais, como João Pessoa, Maceió, Natal e Aracaju. Inclui, além da capital pernambucana, mais 14 cidades do Grande Recife, concentrando 65% do PIB estadual.[10][11][12][13][14][15]

A cidade do Recife foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo.[16] Apenas cinco cidades brasileiras entraram na lista, tendo Recife recebido a quarta posição, após São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e à frente de Curitiba.

Destaca-se por possuir o maior parque tecnológico do Brasil, o Porto Digital; o maior número de consulados estrangeiros fora do eixo Rio-São Paulo, sendo inclusive a única cidade, com exceção de São Paulo e do Rio de Janeiro, que tem consulado dos Estados Unidos; o mais importante polo médico do Norte-Nordeste; o mais moderno aeroporto do Norte-Nordeste, o Aeroporto Internacional dos Guararapes; o maior PIB per capita entre as capitais da Região Nordeste; uma forte indústria de construção civil: a cidade detém grande número de arranha-céus em comparação a outras capitais do país; e sua região metropolitana, o Complexo Industrial de Suape, que abriga, entre outros empreendimentos, o maior estaleiro do Hemisfério Sul.[17][18][19][20][21]

Com um grande potencial turístico e forte vocação para o turismo de negócios, frequentemente é escolhida como sede de diversos eventos, como simpósios, jornadas e congressos.[22][23]

O nome "Recife" provém da palavra arrecife, grande barreira rochosa de arenito (recifes) que se estende por toda a sua costa, formando piscinas naturais.

Geralmente, o nome do município dentro de frases é antecedido de artigo masculino, como acontece com os municípios do Rio de Janeiro, do Crato, do Cabo de Santo Agostinho e outros. A esse respeito, muitos intelectuais recifenses e pernambucanos já se pronunciaram, entre eles Gilberto Freyre, em seu livro O Recife, sim! Recife, não!, em 1960.[24] Sobre o tema se pronunciou o historiador pernambucano José Antônio Gonçalves de Melo: "Porque se originou de um acidente geográfico - o recife ou o arrecife - a designação do Recife não prescinde do artigo definido masculino: O Recife e nunca Recife."[25] Por outro lado, o gramático Napoleão Mendes de Almeida afirma em longo arrazoado que não se deve usar o artigo definido para fazer referência à cidade, mas apenas ao bairro homônimo: "o bairro do Recife na cidade de Recife".[26]

Índice

  História

  Os primeiros anos

O município do Recife tem sua origem intimamente ligada à de Olinda. No foral (carta de direitos feudais) de Olinda, concedido por Duarte Coelho em 1537, há uma referência a "Arrecife dos navios", um lugarejo habitado por mareantes e pescadores.[27] O Recife permaneceu português até a independência do Brasil, com a exceção de um período de ocupação holandesa entre 1630 e 1654.

  Vista do Recife por João de Laet (1664).

Durante os anos anteriores à invasão da Companhia das Índias Ocidentais, o povoado do Recife existiu apenas em função do porto e à sombra da sede Olinda, local que a aristocracia escolheu para residir devido à sua localização elevada, que facilitava a defesa. Ergueram-se fortificações e paliçadas em defesa do povoado e do porto do Recife, todas elas voltadas para o mar. Os temores voltavam-se para o oceano por conta dos constantes ataques ao litoral da América Portuguesa pela navegação de corso e pirataria. Ainda no final do século XVI o "povo dos arrecifes" foi atacado e saqueado pelo pirata inglês James Lancaster que, com três navios, derrotou a pequena guarnição responsável pela defesa do porto. Entre os anos de 1620 e 1626 o então governador Matias de Albuquerque procurou estabelecer posições fortificadas no porto do Recife a fim de que se pudesse evitar outro ataque como aquele, bem como dissuadir a Companhia das Índias Ocidentais da ideia empreendida na Bahia em 1624.[28][29]

  Governo holandês

  Recife foi considerada a mais próspera e urbanizada cidade das Américas durante o governo do conde alemão (a serviço da coroa holandesa) Maurício de Nassau.

No Recife holandês, foi iniciada a construção de Mauritsstad (Cidade Maurícia, ou Mauriceia). O Recife foi a capital do Brasil holandês, tendo sido governada de 1637 a 1644 pelo conde (a serviço da Companhia das Índias Ocidentais - West Indische Compagnie) Maurício de Nassau.[30] O império holandês nas Américas era composto na época por uma cadeia de fortalezas que iam do Ceará à embocadura do rio São Francisco, ao sul de Alagoas. Os holandeses também possuíam uma série de feitorias na Guiné e Angola, situadas no outro lado do Atlântico, o que lhes dava controle sobre o açúcar e o tráfico negreiro, administradas pela Companhia das Índias Ocidentais.

  A Kahal Zur Israel, no Recife, foi a primeira sinagoga das Américas.[31]

O conde desembarcou na Nieuw Holland, a Nova Holanda, em 1637, acompanhado por uma equipe de arquitetos e engenheiros. Nesse ponto começa a construção de Mauritsstad, que foi dotada de pontes, diques e canais para vencer as condições geográficas locais. O arquiteto Pieter Post foi o responsável pelo traçado da nova cidade e de edifícios como o palácio de Freeburg, sede do poder de Nassau na Nova Holanda, e do prédio do observatório astronômico, tido como o primeiro do Novo Mundo.[32]

Maurício de Nassau realizou uma política de tolerância religiosa frente aos católicos e calvinistas. Além disso, permitiu a migração de judeus ao Recife e a criação de uma sinagoga, a Kahal Zur Israel, inaugurada em 1642 e considerada o primeiro templo judaico das Américas do Sul e do Norte.[33]

Nassau era também um entusiasta da ciência e das belas artes. Ao embarcar para o Brasil, trouxe uma plêiade de naturalistas e pintores para retratar e estudar a novo continente. Entre estes destacam-se os pintores Frans Post e Albert Eckhout, que retrataram as paisagens e os exóticos habitantes locais, o médico Willem Piso e o naturalista alemão Georg Marggraf, que estudaram a fauna e a flora, a farmacopeia local e as doenças tropicais.[34]

Nassau retornou à Holanda em 1644, demitido devido a desentendimentos com as autoridades da Companhia, que não se contentaram com o nível de lucros das possessões brasileiras. Os novos governantes holandeses entraram em conflito com a população, desencadeando a partir de 1643 uma insurreição - a chamada Insurreição Pernambucana - que terminaria com a expulsão definitiva dos holandeses em 1654. A economia açucareira local passou a enfrentar a competição das Antilhas Holandesas, para onde os holandeses levaram a tecnologia da produção de açúcar.[35]

  Insurreição Pernambucana

  As Batalhas dos Guararapes, episódios decisivos na Insurreição Pernambucana, são consideradas a origem do Exército Brasileiro.

Em 15 de maio de 1645, reunidos no Engenho de São João, 18 líderes insurretos pernambucanos assinaram compromisso para lutar contra o domínio holandês na capitania. Com o acordo assinado, começa o contra-ataque à invasão holandesa. A primeira vitória importante dos insurretos se deu no Monte das Tabocas, (hoje localizada no município de Vitória de Santo Antão) onde 1200 insurretos mazombos armados de armas de fogo, foices, paus e flechas derrotaram numa emboscada 1900 holandeses bem armados e bem treinados.

O sucesso deu ao líder Antônio Dias Cardoso o apelido de Mestre das Emboscadas. Os holandeses que sobreviveram seguiram para Casa Forte, sendo novamente derrotado pela aliança dos mazombos, índios nativos e escravos negros. Recuaram novamente para as casas-forte em Cabo de Santo Agostinho, Pontal de Nazaré, Sirinhaém, Rio Formoso, Porto Calvo e Forte Maurício, sendo sucessivamente derrotados pelos insurretos.

  O lugar onde foi erguido o Palácio da Justiça de Pernambuco (foto) pertenceu ao impontente Palácio de Friburgo, local de residência e de despachos de Maurício de Nassau demolido no século XVIII.

Por fim, Olinda foi recuperada pelos rebeldes. Cercados e isolados pelos rebeldes numa faixa que ficou conhecida como Nova Holanda, indo do Recife a Itamaracá, os invasores começaram a sofrer com a falta de alimentos, o que os levou a atacar plantações de mandioca nas vilas de São Lourenço, Catuma e Tejucupapo. Em 24 de abril de 1646, ocorreu a famosa Batalha de Tejucupapo, onde mulheres camponesas armadas de utensílios agrícolas e armas leves expulsaram os invasores holandeses, humilhando-os definitivamente. Esse fato histórico consolidou-se como a primeira importante participação militar da mulher na defesa do território brasileiro.

Devido a Primeira Guerra Anglo-Neerlandesa, a República Holandesa não pôde auxiliar os holandeses no Brasil. Com o fim da guerra contra os ingleses, a República Holandesa exige a devolução da colônia em maio de 1654. Sob ameaça de uma nova invasão do Nordeste brasileiro, Portugal cede à exigência dos holandeses que Portugal pague 4 milhões cruzados para República Holandesa entre um período de 16 anos. Porém, em 6 de agosto de 1661 a República Holandesa cede formalmente o Nordeste brasileiro à Portugal através da Paz de Haia.

  Movimentos nativistas e separatistas

  Conjuração de "Nosso Pai" (1666)

  Porto do Recife, no século XVII, foco da revolta de "Nosso Pai".

A Capitania de Pernambuco lutava por reconstruir suas duas principais cidades - Recife e Olinda - destruídas com as lutas contra os invasores holandeses.

Os senhores de engenho, radicados em Olinda e com reservas quanto ao porto do Recife, acreditavam merecer maiores reconhecimentos da Coroa Portuguesa, pelo contributo na expulsão dos flamengos.

Portugal, entretanto, mandou para governar a Capitania Jerônimo de Mendonça Furtado, um estranho, contrariando assim os interesses de muitos pernambucanos, que se julgavam merecedores de ocupar a função, e não um estrangeiro.

Mendonça Furtado era apelidado pejorativamente de Xumberga (ou, nalgumas outras versões, Xumbregas) - referência ao general alemão Von Schomberg, mercenário que lutara na Guerra da Restauração, por ter um bigode semelhante ao dele.

O estopim do movimento, que culminou com a prisão e deposição do Governador, foi a estada, no porto do Recife, de uma esquadra francesa, que por ordem da Corte, foram bem tratados. Os insurgentes fizeram divulgar a notícia de que o governador estaria a serviço dos estrangeiros, que preparavam um ataque à província, e seu consequente saque.[36]

  Decoração barroca da Capela Dourada (início do século XVIII).

  Guerra dos Mascates (1710-1711)

Após a invasão holandesa, muitos comerciantes vindos de Portugal - chamados pejorativamente de "mascates" - estabelecem-se no Recife, trazendo prosperidade à vila. O desenvolvimento do Recife foi visto com desconfiança pelos olindenses, em grande parte formada por senhores de engenho em dificuldades econômicas. O conflito de interesses políticos e econômicos entre a nobreza açucareira pernambucana e os novos burgueses deu origem à Guerra dos Mascates, durante a qual o Recife foi palco de combates e cercos.[37][38][39][40]

A Guerra dos Mascates é considerada como um movimento nativista, precursor da Independência do Brasil, pela historiografia em História do Brasil.

  Revolução Pernambucana (1817)

  A bandeira da Revolução Pernambucana de 1817, cujas estrelas representam Pernambuco, Paraíba e Ceará, inspirou a atual bandeira de Pernambuco.

A chamada Revolução Pernambucana, também conhecida como "Revolução dos Padres", eclodiu em 6 de março de 1817 na então Província de Pernambuco.

Dentre as suas causas destacam-se a crise econômica regional, o absolutismo monárquico português e a influência das idéias Iluministas, propagadas pelas sociedades maçônicas.

  A atual Praça da República já teve várias denominações. Durante a Revolução de 1817 era conhecida como Campo da Honra.

O movimento iniciou com ocupação do Recife, em 6 de março de 1817. No regimento de artilharia, o capitão José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado, reagiu à voz de prisão e matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro. Depois, na companhia de outros militares rebelados, tomou o quartel e ergueu trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das tropas monarquistas. O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, mas, cercado, acabou se rendendo.

O movimento foi liderado por Domingos José Martins, com o apoio de Antônio Carlos de Andrada e Silva e de Frei Caneca. Tendo conseguido dominar o Governo Provincial, se apossaram do tesouro da província, instalaram um governo provisório e proclamaram a República.

  Confederação do Equador (1824)

A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, de caráter emancipacionista (ou autonomista) e republicano ocorrido em Pernambuco. Representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçada na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país.

  Exército Imperial do Brasil ataca as forças confederadas no Recife, 1824.

O conflito possui raízes em movimentos anteriores na região: a Guerra dos Mascates e a Revolução Pernambucana, esta última de caráter republicano.

O centro irradiador e a liderança da revolta couberam à província de Pernambuco, que já se rebelara em 1817 e enfrentava dificuldades econômicas. Além da crise, a província se ressentia ao pagar elevadas taxas para o Império, que as justificava como necessárias para levar adiante as guerras provinciais pós-independência (algumas províncias resistiam à separação de Portugal).

Pernambuco esperava que a primeira Constituição do Império seria do tipo federalista, e daria autonomia para as províncias resolverem suas questões.

  Revolta Praieira (1848-1850)

A Revolta Praieira, também denominada como "Insurreição Praieira", "Revolução Praieira" ou simplesmente "Praieira", foi um movimento de caráter liberal e separatista que eclodiu, durante o Segundo Reinado, na província de Pernambuco, entre 1848 e 1850.

A Última das revoltas provinciais está ligada às lutas político-partidárias que marcaram o Período Regencial e o início do Segundo Reinado. Sua derrota representou uma demonstração de força do governo de D. Pedro II (1840-1889).

Friedrich Hagedorn: Panorama do Recife em 1855..
Friedrich Hagedorn: Panorama do Recife em 1855.
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  Século XX

  No início do século XX, Recife só perdia em importância política e econômica para o Rio de Janeiro.[41] Na foto, a Rua do Bom Jesus.

No início do século XX, o Recife era ainda uma cidade muito influente: só perdia em importância política e econômica para o Rio de Janeiro.[42] Iniciou-se um período de agitação cultural, e a Belle Époque mostrou a busca de novas linguagens para traduzir as velozes mudanças trazidas pelas novas técnicas. Os recifenses tinham até os meados do século uma forte influência cultural francesa.[43] Nos anos 1910, o Recife pretendia se tornar uma cidade moderna, tal como Paris, através da reforma do porto e construção de largas avenidas, sem preocupação com a preservação dos edifícios históricos. Como em todo o Brasil, o modernismo não afetou as graves diferenças sociais.

  Recife atual.

Em 1934, Pernambuco assume posição inovadora ao contratar Burle Marx e o arquiteto Luiz Nunes. O bairro de Boa Viagem tornou-se um local onde a elite recifense possuía casas de veraneio já no início do século.[44]

Na década de 1950 ganhou o Recife o contorno urbano atual, com o crescimento populacional ocasionado pela migração de pessoas do interior do Estado e a extinção dos mocambos, obrigando a população pobre a viver nos morros. A cidade já buscava mostrar uma perspectiva positiva de si, escondendo as mazelas sociais.[45]

Em 1966, houve um atentado terrorista cujo alvo era o então presidente da República, Arthur da Costa e Silva, enquanto desembarcava no Aeroporto dos Guararapes. Houve mortos e feridos, mas o presidente escapou, chegando ao Recife de carro a partir de João Pessoa.[46]

  Geografia

  A Ponte Buarque de Macedo, uma das quase 50 pontes do Recife, liga a Praça da República à Avenida Rio Branco.

Recife é a capital do sétimo estado mais populoso do Brasil, Pernambuco,[47] situando-se próximo ao paralelo 8º04'03'' sul e do meridiano 34º55'00'' oeste.

A área original do município é controversa, e varia conforme fonte de dados. A própria prefeitura oferece 219Km2[48] e o IBGE indica 218km2.[49]

Suas cidades limítrofes são Jaboatão dos Guararapes, São Lourenço da Mata, Camaragibe, Paulista e Olinda.[50]

A cidade do Recife está situada sobre uma planície aluvional (fluviomarinha), constituída por ilhas, penínsulas, alagados e manguezais envolvidos por 5 rios: Beberibe, Capibaribe, Tejipió e braços do Jaboatão e do Pirapama, conferindo-lhe características peculiares. Essa planície é circundada por colinas em arco que se estendem do norte ao sul, de Olinda até Prazeres (Jaboatão).[51]

  Clima

Gráfico climático para o Recife
J F M A M J J A S O N D
 
 
103
 
30
25
 
 
144
 
30
24
 
 
264
 
30
24
 
 
326
 
30
24
 
 
328
 
30
23
 
 
389
 
30
22
 
 
385
 
29
21
 
 
213
 
29
21
 
 
122
 
29
22
 
 
66
 
30
23
 
 
47
 
30
24
 
 
65
 
30
24
Temperaturas em °CPrecipitações em mm

O Recife tem um clima tropical, com alta umidade relativa do ar. Apresenta temperaturas equilibradas ao longo do ano devido à proximidade com o mar. Janeiro possui as temperaturas mais altas, sendo a máxima de 30°C e a mínima de 25°C, com muito sol. Julho possui as temperaturas mais baixas, sendo a máxima de 29°C e a mínima de 21°C, com muita precipitação. A temperatura média anual é de 26,4°C. Oficialmente a menor temperatura registrada na cidade foi de 17,1°C em agosto de 1954, e a maior foi de 35,2°C em fevereiro de 1988, embora haja registros não-oficiais de que já se tenha feito 16°C nos bairros altos da Zona Norte, como no bairro do Brejo da Guabiraba, e de que já se tenha feito 36°C em bairros mais baixos.

O clima do Recife é tropical atlântico, uma vez que o município está situado na fachada oriental nordestina que inclui as planícies litorâneas e as vertentes orientais dos planaltos, desde o Rio Grande do Norte até o sul da Bahia. A característica distintiva desta área é o regime de precipitações, que apresenta totais pluviométricos elevados, em torno de l.500mm, com chuvas concentradas nos meses de outono e inverno. Embora não exista estação verdadeiramente seca, as grandes chuvas ocorrem entre abril e julho.[52]

  Vegetação

  Entrada do Parque Dois Irmãos, Zona Norte do Recife.

O Recife possui algumas áreas de Mata Atlântica no seu território. Entre elas estão:

  • Parque Dois Irmãos: O maior parque do município.[53] Como um parque, Dois Irmãos oferece uma variedade de diversões e lazer para adultos e crianças incentivando o interesse em conservação do ambiente. Um exemplo são desenhos de um elefante, um camelo, um hipopótamo, uma capivara e um macaco, para que as pessoas possam comparar sua altura com a de um desses animais. No fim do parque, entre o fim do zoológico e o começo da reserva ambiental, há um parque para crianças que recria o cenário de uma pequena vila.De seus 384,42 hectares, o Parque Dois Irmãos apresenta 350,10 hectares de reserva ambiental. O parque e a reserva são separados por arames, e os animais mantidos na reserva não podem ser mantidos em cativeiro pelo zoológico. De terça a sexta, a partir das 5:30h da manhã, os guias do parque oferecem trilhas ambientais pela mata atlântica, abertas ao público.
  Ponte Joaquim Cardoso, sobre o Rio Capibaribe.
  • Mata de Dois Unidos,[59] localizada no bairro de mesmo nome, é considerada uma área de preservação ambiental. Com uma área de 37,2 hectares, foi criada em 1987.
  Mangue no Recife.

Além disso, várias áreas do município são de manguezal. As principais encontram-se próximas ao Rio Capibaribe, na Zona Sul e na fronteira com Olinda. Com 215 hectares de área, o Parque dos Manguezais, pertencente à Marinha do Brasil, está situado entre os bairros do Pina, Boa Viagem e Imbiribeira, na Zona Sul do Recife, e é banhado pelos rios Jordão e Pina. É um dos maiores manguezais urbanos do mundo, do qual fazem parte a Ilha de Deus, a Ilha de São Simão e a Ilha das Cabras.

Desde o início do povoamento, o processo de formação e estruturação do Recife ocorre, em grande parte, condicionado pelos recursos naturais, cuja inserção no ambiente construído agrega valor às práticas urbanizadoras, a partir de então, essas práticas, na maioria das vezes, desprezam esses recursos, quer como elemento natural, quer como parte importante da paisagem construída, resultando nos seguintes problemas, persistentes até os dias atuais e ignorados pela maioria das gestões municipais:

  Pescador na Bacia do Pina.

  Hidrografia

O Recife é conhecido como "Veneza Brasileira" graças à semelhança fluvial com a cidade europeia de Veneza. Cercado por rios e cortado por pontes, é cheio de ilhas e mangues. Ali acontece o encontro dos rios Beberibe e Capibaribe que deságuam no Oceano Atlântico.

O município conta com dezenas de pontes, entre elas a mais antiga do Brasil, a ponte Maurício de Nassau. A altitude média em relação ao nível do mar é de 4 metros, porém há algumas áreas do município que se localizam abaixo do nível do mar. O município se localiza na latitude de 8º 04' 03''S e longitude de 34º 55' 00''O.[66][67]

  Demografia

Crescimento populacional do Recife
Ano Habitantes
1630[68] 7.000
1654[68] 8.000
1709[68] 12.000
1790[68] 15.000
1810[68] 25.000
1838[68] 60.000
1872 126.671
1890 111.000
1900 113.106
Ano Habitantes
1920 238.843
1940 348.424
1950 524.682
1960 788.336
1970 1.060.701
1980 1.203.899
1990 1.288.607
2000 1.492.905
2006[69] 1.515.052
2010[69] 1.546.516

Segundo dados do Censo Brasileiro de 2010 do IBGE, o Recife possui 1.537.704 habitantes em uma área de 217,494 km², o que resulta em uma densidade demográfica de 7.180,23 hab./km².

  Praia de Boa Viagem, Zona Sul da cidade.
  • Bairros mais populosos: Boa Viagem, Casa Amarela, Várzea
  • Composição etária da população (2000):
    • 0 a 14 anos: 26,16%
    • 15 a 64 anos: 67,33%
    • 64 anos e mais: 6,51%

Compõe a economia majoritariamente o comércio, prestação de serviços e o Turismo.

Crescimento anual e densidade
Grupos étnicos
  Cais José Estelita.

A maioria dos brancos do município é de ascendência portuguesa, com possível contribuição holandesa.[70]

  Região Metropolitana do Recife

O intenso processo de conurbação atualmente em curso na chamada Grande Recife vem criando uma metrópole cujo centro está em Recife e atinge os municípios de Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Igarassu, Goiana, Escada, Sirinhaém, Abreu e Lima, Camaragibe, Cabo de Santo Agostinho, São Lourenço da Mata, Araçoiaba, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Moreno e Itapissuma. A Região Metropolitana do Recife foi criada no ano de 1973 e atualmente é constituída por 17 municípios, sendo a mais populosa da Região Nordeste e a quinta maior do Brasil, além de ser a terceira mais densamente habitada do país, superada apenas por São Paulo e Rio de Janeiro.[71]

  Religião

De acordo com os dados do Novo Mapa das Religiões, feito pela Fundação Getúlio Vargas com dados de 2009 da POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), do IBGE, 53,07% da população do Recife se identifica como católica, 10,36% evangélicos pentecostais, 12,05% outras evangélicas, sem religião (podendo ser ateus, agnósticos, deístas) 13,39%, espíritas 3,60%,afro-brasileira 0,36%, orientais ou asiáticas (como o budismo e o hinduísmo) 0,04%, outras 6,63%.

Igreja Católica Romana

Os colégios tradicionais recifenses, em sua maioria, são ou eram católicos, como o Colégio Damas da Instrução Cristã, o Colégio Marista São Luís e o Colégio Nóbrega pertencente a congregação dos Jesuítas.[72][73]. Os templos maiores, mais antigos, mais conhecidos,em maior quantidade e mais visitados pelos turistas são da Igreja Católica, como a Basílica da Penha[74], a Basílica do Carmo[75] e a Igreja Madre de Deus, o que se trata de um sinal que o catolicismo romano é religião mais professada entre recifenses. Recife está dentro da Arquidiocese de Olinda e Recife comandada atualmente pelo arcebispo Dom Antônio Fernando Saburido.

Evangélicos
  O Templo do Recife foi o segundo templo mórmon construído no Brasil e o 101º no mundo.

A maior minoria religiosa do Recife é a evangélica. Os evangélicos do município são, em sua maioria, pentecostais, que por seguinte, são em sua maioria da Assembleia de Deus, denominação protestante com maior quantidade de fiéis e templos no Estado, atendendo principalmente à população de baixa renda. Outras denominações pentecostais presentes são: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Mundial do Poder de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Episcopal Carismática e Vitória em Cristo.

Entre as denominações evangélicas tradicionais, possuem templos na cidade as igrejas de orientação batista, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Igreja Presbiteriana, a Luterana, a Anglicana, a Metodista e a Congregacional.[76]

Outras religiões

Entre os cristãos não católicos e não protestantes, destacam-se os Espíritas e os Santos dos Últimos Dias, mais conhecidos como mórmons. Também existem as Testemunhas de Jeová. O templo afro-brasileiro mais conhecido é o Terreiro do Pai Adão, no bairro de Água Fria.[77] Os judeus também estão presentes. Algumas das personalidades judias que moraram no recife foram a escritora Clarice Lispector, o filósofo Luiz Felipe Pondé, o engenheiro Mário Schenberg, o paisagista Roberto Burle Marx, entre outros.[78] Os budistas, hinduístas e muçulmanos não possuem relevância na população local.

  Criminalidade

Recife durante a década de 1990 e meados dos anos 2000 era considerada a capital mais violenta do Brasil. Porém, com ações sociais do governo de Pernambuco e do governo brasileiro, o Recife foi a capital que mais reduziu a violência, embora ainda tenha altos índices.[79]

  Política

De acordo com a Constituição de 1988, o Recife está localizado em uma república federativa presidencialista. A forma de Estado foi inspirada no modelo estadunidense, no entanto, o sistema legal brasileiro segue a tradição romano-germânica do Direito Positivo. O federalismo no Brasil é mais centralizado do que o federalismo estadunidense; os estados brasileiros têm menos autonomia do que os estados norte-americanos, especialmente quanto à criação de leis.[80]

  Assembleia Legislativa de Pernambuco.

No Recife, o Poder Executivo é representado pelo prefeito e gabinete de secretários, em conformidade ao modelo proposto pela Constituição Federal. O Poder Legislativo é constituído à câmara, composta por 38 vereadores eleitos para mandatos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição[81]). Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Conquanto seja o poder de veto assegurado ao prefeito, o processo de votação das leis que se lhe opõem costuma gerar conflitos entre Executivo e Legislativo. O Poder Judiciário, cuja instância máxima é o Supremo Tribunal Federal, por sua vez é responsável por interpretar a Constituição Federal. O município do Recife não possui, assim, constituições próprias. Em vez disso, possui leis orgânicas.[82] São cidades-irmãs do Recife: Porto, a segunda maior cidade de Portugal, parceira desde 1987; a francesa Nantes, cidade-irmã de Recife desde 2003; e a cidade chinesa de Guangzhou, da província de Guangdong, em parceria com o Recife desde 2007.[83][84]

  Relações internacionais

Cidades-Irmãs do Recife:

  Economia

  Recife foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo.[16]

O Recife registrou um PIB de 22,4 bilhões de reais em 2008.[6] O PIB per capita da cidade atingiu 14.485 reais. Dois terços do PIB são provenientes de comércio e serviços. O PIB da cidade corresponde a um terço do PIB total do estado. O Recife pertence ao Mercado Comum de Cidades do Mercosul. Destaca-se no setor de serviços, que representa mais de 60% de participação do PIB. O setor de impostos registra percentagem de 18%. Em seguida vem o setor industrial, quase 15%.

  O Porto Digital, localizado no bairro do Recife Antigo na capital pernambucana, é o maior parque tecnológico do Brasil e referência mundial na produção de softwares.[17][18][19] O Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn UFPE) fornece mão de obra para o polo, que abriga empresas como Motorola, Borland, Oracle, Sun, Nokia, Ogilvy, IBM e Microsoft.

O Recife tem o mais importante polo médico do Norte/Nordeste e o segundo mais importante do Brasil.[85] É formado por 417 hospitais e clínicas e possui um total de 8,2 mil leitos. Os principais hospitais do polo estão nos bairros do Derby e da Ilha do Leite.

Principalmente por conta do Porto Digital, que abriga diversas empresas, a cidade é considerada um dos mais importantes polos de tecnologias da informação do Brasil em quantidade de empresas e faturamento.[86] O Porto Digital, que abriga cerca de cem empresas, entre elas multinacionais como Accenture, Microsoft, Motorola, Borland, Informe Air, Oracle, Sun e Nokia, é reconhecido pela A. T. Kearny como o maior parque tecnológico do Brasil em faturamento e número de empresas,[86] gerando três mil empregos e participando com 3,5% do PIB do Estado de Pernambuco.

  O PIB de Pernambuco cresceu 15,78% em 2010, mais que o dobro da média nacional do mesmo ano, que ficou em 7,5%.[87] O Complexo Industrial de Suape, localizado na Região Metropolitana do Recife, é responsável por esse crescimento. O polo abriga empreendimentos como o Estaleiro Atlântico Sul, maior estaleiro do Hemisfério Sul.[88]

Um terceiro destaque está na indústria de construção civil, com centenas de arranha-céus residenciais e comerciais.[89] (considerados pelo site prédios acima de doze andares). A cidade é superada neste indicador apenas por São Paulo e Rio de Janeiro, que têm áreas municipais mais de cinco vezes superiores a ela.

O Shopping Center Recife, o segundo maior centro de compras do Norte/Nordeste.[90] Conta com 465 lojas, sendo 9 âncoras e 6 megalojas, 5.000 vagas de estacionamento, 10 salas de cinema UCI Multiplex, 17 restaurantes e 4 praças de alimentação. Nele está localizado o Pátio das Esculturas, uma área de exposições múltiplas. Há também os centros de compra Shopping Center Tacaruna, Plaza Shopping Casa Forte, Shopping Paço Alfândega e Shopping Boa Vista.

O Recife foi eleito por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo[16]. Apenas cinco capitais brasileiras entraram na lista: São Paulo, que foi a cidade brasileira mais bem colocada, na 12ª posição; Rio de Janeiro (36ª posição); Brasília (42ª); Recife (47ª); e por último Curitiba (49ª). Xangai e Pequim, na China, ocuparam as duas primeiras posições. Para compor o índice que elegeu as cidades com economia mais avançada nos mercados emergentes, foram considerados o ambiente econômico e comercial; crescimento e desenvolvimento econômico; ambiente de negócios; ambiente de serviços financeiros, conectividade comercial; conectividade de educação e TI; qualidade de vida urbana; risco e segurança.

  Estrutura urbana

  Educação

  A Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco obteve o segundo melhor aproveitamento do país, com 78,57% de aprovação no Exame de Ordem (2011.1). Nascida da transferência da Faculdade de Direito de Olinda, é a mais antiga faculdade de Direito do Brasil.[91][92]

O Recife conta com importantes Universidades públicas e privadas, estando a UFPE entre as 10 melhores Universidades do Brasil[93] e entre as 20 melhores universidades da América Latina segundo o Webometrics Ranking of World Universities 2011, à frente de universidades conceituadas como a Universidade de Concepción, a Universidade Federal Fluminense e a PUC-RS.[94]

A Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco obteve aproveitamento de 78,57% no Exame de Ordem (2011.1), inferior apenas ao curso de Direito da Universidade Federal do Espírito Santo.[95] Nela importantes nomes da história brasileira estudaram, destacando, dentre inúmeros outros expoentes, Barão do Rio Branco, Castro Alves, Clóvis Bevilaqua, Tobias Barreto, Joaquim Nabuco, Eusébio de Queirós, Teixeira de Freitas, Marquês de Paraná, Epitácio Pessoa, Assis Chateaubriand, José Lins do Rego e Pontes de Miranda.

  Centro de Tecnologia e Geociências, UFPE.

A cidade ainda possui o IFPE (pertencente à Rede Federal de Educação Tecnológica e situada ao lado do Campus da UFPE), a ETEPAM, escola técnica estadual e o Ginásio Pernambucano que funciona como um centro de ensino experimental.

Mais de 144 mil estudantes estão matriculados nas Escolas municipais do Recife. No Ensino Fundamental municipal a matrícula é de quase cem mil crianças, e as duas escolas do Ensino Médio municipais contam com aproximadamente 2 mil estudantes. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) possui mais de 25 mil estudantes, a maioria em horário noturno.[96]

No ano de 2003, segundo dados do IBGE, Recife possuía 282.305 alunos matriculados, com 12.097 lecionando. Neste mesmo ano, o Ensino Médio possuía matrícula de 97.687 alunos, com 5.262 docentes.

Analfabetismo

Apesar de ter havido uma redução, a taxa de analfabetismo de pessoas com mais de 15 anos de idade ainda é alta em comparação com algumas capitais brasileiras. Em 2003, 10,6% das pessoas com mais de 15 anos ainda era analfabeta.[97] Em 2010, esse índice era de 7,13% o que indica uma queda significativa, porém insuficiente para ser considerada uma cidade livre do analfabetismo segundo o MEC.[98][99]

  Saúde

  Memorial da Medicina de Pernambuco. O médico pernambucano Correia Picanço, "Patriarca da Medicina Brasileira", fez, no Recife, a primeira operação cesariana do Brasil.[100]

Recife possui uma complexa rede de serviços no setor público, ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Existem 118 Unidades básicas de Saúde, estabelecidas na maioria dos bairros da cidade, que ofertam consultas médicas (Criança, Adulto, Idoso), vacinação, pré-natal, planejamento familiar e exame ginecológico. Cerca de metade destas unidades também oferecem consultas odontológicas. As unidades básicas funcionam de 7:30 às 17:00.[101]

Os serviços públicos de urgência 24h realizam atendimento nas áreas de clínica geral, ortopedia e pediatria. São 04 Unidades de Pronto-atendimento (UPAs) localizadas em pontos de fácil de acesso (Av. Caxangá, Av. Abdias de Carvalho, Imbiribeira e Nova Descoberta). Além destas, existem 05 Policlínicas 24h que realizam atendimento semelhantes e estão localizadas nos bairros de Casa Amarela Afogados, Parnamirim (apenas pediatria), Campina do Barreto (Recife) e Ibura. Pessoas com suspeita de infarto ou outro problema cardiológico também podem se dirigir ao Pronto-Socorro Cardiológico de Pernambuco (PROCAPE), unidade de atendimento do SUS e segundo maior hospital de cardiologia da América Latina.

  Recife é um dos principais polos médicos do país.[85]

O maior hospital público do município é o Hospital da Restauração. Outros hospitais importantes são: Hospital Ulysses Pernambucano, segundo hospital psiquiátrico do Brasil; Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco; e Hospital Universitário Oswaldo Cruz, sendo os dois últimos grandes hospitais universitários. O Recife tem um total de 8.875 leitos hospitalares, dos quais 6.037 disponíveis para pacientes do Sistema Único de Saúde. Hospital da Restauração, maior emergência pública e mais complexo serviço de urgência e trauma do Norte-Nordeste,[102] recebendo pacientes de todo o estado e de estados vizinhos. O Hospital da Restauração, referência nas áreas de trauma, neurocirurgia, neurologia, cirurgia geral, clínica médica e ortopedia, possui 482 leitos registrados no Ministério da Saúde (MS), mas, incluindo os extras, funciona com um total de 723 leitos para atender a demanda que lhe é submetida. Desde junho de 2010, a antiga Emergência Geral foi desmembrada em três emergências com entradas e espaços independentes: Emergência Pediátrica, Emergência Traumatológica e Emergência Clínica.[102] Os hospitais particulares do Recife, equipados com máquinas de última geração, fazem da capital pernambucana o segundo maior polo médico e hospitalar do Brasil.[103]

Em 2007, de acordo com a Prefeitura do Recife, a mortalidade infantil na capital pernambucana era de 13,0 p/mil.[104]

  Transportes

História
  A Torre do Zeppelin foi a primeira estação aeronáutica para dirigíveis da América do Sul, e é o único objeto do seu tipo ainda de pé no mundo.[105][106]

O Recife foi palco da inauguração do primeiro sistema urbano de transporte sobre trilhos da América Latina, a chamada Maxambomba (do inglês machine pump). Antes, o sistema de transporte era atendido por canoas e, para os mais abastados, cavalos e carruagens. A viagem de Maxambomba era metade do preço da viagem de carruagem, e findava às 21 horas, fato este que determinou a mudança do fechamento das lojas para o mesmo horário (antes, fechavam às 18h).[107] O itinerário da maxambomba chegou a ter 22 quilômetros de extensão e 20 estações, até que em 1919 foi substituída por bondes elétricos. Em 1960, os bondes foram substituídos por ônibus elétricos. Paralelamente, houve a implantação de transporte por Ônibus. As linhas de trem da Great Western, antecessora da Rede Ferroviária Federal, também faziam o transporte público urbano. Foram substituídas pelo Metrô do Recife.

Entre 1930 e 1938, Recife foi uma das primeiras cidades nas Américas e a primeira do Brasil com conexão direita (non-stop) para a Europa, especialmente para a Alemanha, por meio de dirigíveis. Atualmente Recife tem a única estação de atracação de dirigíveis no mundo preservada em sua estrutura original, a Torre do Zeppelin.

Transporte terrestre
  Metrô do Recife, primeiro sistema metroviário do Norte-Nordeste, em funcionamento desde 1985.

O município possui uma frota de aproximadamente 4.600 ônibus, divididos em 18 empresas [108] que transportam diariamente 1,7 milhão de pessoas[109] e o Metrô do Recife (Metrorec), que transporta 205 mil passageiros por dia.[110] As tarifas de ônibus variam entre R$ 2,15 e R$3,15 para o serviço comum e de segunda a sábado, e entre R$2,50 e R$4,00 para os serviços opcionais. Aos domingos, a tarifa comum fica entre R$1,10 e R$ 1,55. O metrô tem a tarifa única de 1,60.[111] Recife também conta com 429 ônibus especiais, adaptados com elevadores na porta central para facilitar o acesso dos usuários de cadeira de rodas.[112]

Recentemente, a cidade recebeu um novo sistema informatizado em seu terminal de ônibus da Avenida Caxangá. O sistema experimental consiste na instalação de rastreadores nos ônibus, que por meio de comunicação permanente com o terminal permitem aos passageiros saberem a hora exata da chegada dos veículos. Os dados são mostrados em telas de LCD localizadas em locais que permitem boa visibilidade.[113]

Devido ao aquecimento da economia brasileira, a cidade tem sofrido um forte aumento no número de automóveis em circulação, o que têm causado problemas para estacionar aos habitantes.[114] De acordo com o relatório do Detran-PE de Março de 2010, o Grande Recife apresenta uma frota de 867 mil veículos.[115] Destes, 43% são emplacados em cidades da RMR, mas circulam pela cidade.

Transporte marítimo

O Porto do Recife localiza-se no Recife Antigo, ao lado da Praça Rio Branco (Marco Zero). No período holandês, o porto era um dos mais desenvolvidos do Brasil. Atualmente, tem sua base operacional centrada na movimentação de granéis sólidos, compreendendo grãos, clínquer, barrilha e carga geral. Diferencia-se dos demais portos por situar-se num centro urbano e conseguir operar sem interferir no município. Além do transporte de cargas e matérias-primas, o Porto do Recife vêm consolidando-se como local de atracação de importantes cruzeiros marítimos, impulsionando o turismo.

  O Aeroporto Internacional do Recife é o maior e mais moderno aeroporto do Norte-Nordeste do Brasil e um dos cinco melhores do mundo.[21][116]
Transporte aéreo

O Aeroporto Internacional dos Guararapes-Gilberto Freyre, com capacidade anual de 9 milhões de passageiros,[117] conta com 64 balcões de check-in, 11 pontes de embarque, 2.120 vagas de estacionamento e área de compras e lazer com 165 pontos comerciais, seguindo o conceito de Aero Shopping. Segundo a Infraero, é o maior e mais moderno aeroporto do Norte-Nordeste do Brasil e o segundo mais movimentado.[21][118] Conta com um pátio capaz de receber até 26 aeronaves simultaneamente. Realiza voos domésticos regulares para 19 capitais de estados brasileiros e mais oito grandes cidades brasileiras, além de voos internacionais regulares para países da Europa, África e Américas.

O aeroporto foi citado pela Revista TAM entre os cinco melhores do mundo juntamente com os terminais de Madri (Barajas), Munique (Franz Josef Strauss), Singapura (Changi) e Londres (Heathrow). Segundo a publicação, estes são aeroportos que fazem a viagem valer a pena antes mesmo do embarque.[119]

  Comunicação

  Equipe de redação do Jornal do Commercio, líder em circulação no Norte-Nordeste.

Recife possui três grandes jornais: o Jornal do Commercio, líder em circulação de exemplares no Norte/Nordeste, com o maior número de assinantes do Estado de Pernambuco, que faz parte do Sistema Jornal de Commercio de Comunicação, pertencente ao Grupo JCPM; [120][121] o Diario de Pernambuco, o jornal mais antigo em circulação na América Latina, fundado em 7 de novembro de 1825, que atualmente faz parte do grupo Diários Associados, fundado pelo empreendedor Assis Chateubriand;[122] e a Folha de Pernambuco, fundado em 3 de Abril de 1998, pertencente ao grupo Empresarial EQM, do empresário Eduardo de Queiroz Monteiro.[carece de fontes?] Também se destaca o Aqui PE, jornal de formato tabloide com notícias de cunho popular.[123]

Possui diversas emissoras de rádio, algumas delas de difusão nacional, como a Nova Brasil FM, a Rádio Transamérica e a Jovem Pan. Outras emissoras de rádio são: CBN Recife, Rádio Jornal, Rádio Clube, Recife FM, entre outras.

A metrópole possui várias emissoras de televisão aberta: Rede Globo Nordeste (única emissora própria da Rede Globo no Norte-Nordeste), Rádio Jornal, afiliada do SBT; TV Clube, afiliada da Rede Record; a Rede TV Recife, filial da emissora paulista; TV Tribuna, afiliada da Rede Bandeirantes; TV Universitária, afiliada da TV Brasil; TV Recife, afiliada da MTV Brasil e a TV Estação.

  Requalificação urbana

  Avenida Beira Rio, Zona Norte.

Para atender às novas necessidades da metrópole, os governos federal, estadual e municipal, mais diversos órgãos e empresas nacionais e internacionais, estão trabalhando em conjunto para a transformação de vários setores do Recife. Habitação, transporte, turismo, lazer, meio ambiente, cultura e principalmente segurança (já que a cidade é considerada a capital mais violenta do país[124])são os principais aspectos explorados pelas novas obras e projetos.

  • Complexo Turístico Cultural Recife/Olinda - o objetivo central desse projeto é a valorização do patrimônio cultural e material das duas cidades, promovendo a transformação de bairros e a formação de uma Rede de Equipamentos Culturais. O projeto usa o turismo e a cultura como eixos do desenvolvimento econômico e social da região. Contará com investimentos dos governos Federal, Estadual e Municipais das cidades do Recife e de Olinda.[125][126]
  • Prometrópole - com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de mais de 35 mil famílias de moradores de favelas e de áreas irregulares da Região Metropolitana do Recife, aumentando o acesso a serviços de água, saneamento, habitação, transporte e escoamento, o projeto inclui um alto grau de participação comunitária e busca realizar melhorias nas edificações e na infra-estrutura das comunidades de baixa-renda na bacia do rio Beberibe dentro da região metropolitana. Serão financiadas obras no sistema hídrico, em saneamento básico, em reassentamento e em projetos-piloto para testar alternativas de parcelamento de terra.[127]
  Bairro do Pina, Zona Sul.
  • Via Mangue - o projeto da Via Mangue visa diminuir os problemas de trânsito da Zona Sul recifense. Trata-se de uma avenida que vai ligar o Pina diretamente às ruas que margeiam os canais Setúbal e Jordão, desafogando o fluxo de veículos em toda a região.[128]
  • Corredor Leste/Oeste - o Corredor Leste-Oeste é um projeto viário que objetiva reduzir o tempo de viagem entre a zona oeste e o centro da cidade, interligando duas avenidas da cidade, a Caxangá (a segunda mais extensa via urbana em linha reta do Brasil, com 6,2 quilômetros de extensão [129]) e a Conde da Boa Vista.
  • Corredor Norte/Sul - Projetado pelo Escritório de Jaime Lerner Ex-prefeito de Curitiba e adaptando o modelo de mobilidade paranaense a realidade pernambucana. Vai interligar as Cidades de Igarassu e Jaboatão dos Guararapes, atravessando o Recife de norte a sul por algumas de suas principais vias, entre elas a Av. Agamenom Magalhães na zona central e Av.Domingos Ferreira na zona sul. Assim como a Av. Caxangá, possuirá uma faixa exclusiva para os ônibus do sistema, e no perímetro da Av. Agamenom Magalhães, será construído um elevado sobre o canal, o que possibilitará um deslocamento mais agíl dos coletivos, já que eles não dividirão espaço com os veículos particulares. Para o usuário do sistema haverá uma economia de tempo e dinheiro, já que ele poderá ir aos extremos da RMR pagando somente uma passagem.[130]

  Infraestrutura urbana

Saneamento básico
  O Rio Capibaribe, considerado o sétimo rio mais poluído do Brasil, é receptor de grande quantidade de esgoto doméstico in natura e efluentes industriais.[131]

Parte significativa da população recifense vive em condições ambientais insalubres, o que repercute sobre a qualidade de vida da população, especialmente para aqueles que habitam nas áreas pobres da cidade. Em 2010, a proporção de domicílios com saneamento básico adequado, ou seja, o percentual de domicílios do Recife com abastecimento de água por rede geral, esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica e lixo coletado diretamente ou indiretamente era de 59,8%; um aumento de exatos 10% em comparação ao percentual registrado em 2000. Já a proporção de domicílios com saneamento semiadequado (entenda-se por saneamento básico semiadequado a presença de pelo menos uma forma de saneamento considerada adequada ) era de 39,9%; contra 49,3% registrados em 2000. O percentual de domicílios em que todas as formas de saneamento foram consideradas inadequadas foi de 0,4%, ante 0,9% em 2000.[132]

Alagamentos
  Bairro da Boa Vista, Centro.

As características peculiares da cidade quanto à sua geomorfologia, aliadas a um processo de urbanização realizado às custas da ocupação do espaço natural das águas apontam para uma crescente dificuldade de escoamento das águas pluviais no território municipal.Esta circunstância sobrecarrega as estruturas do sistema de drenagem e provoca, em muitos casos, inundações indesejáveis, às vezes permanentes, nas áreas mais baixas.[133]

Além do mais, a efetividade desse sistema de macrodrenagem ainda é diminuída pela deficiência do sistema de microdrenagem a montante, pelos problemas de assoreamento e deslizamento dos morros e pelas naturais condições da cidade situada ao nível do mar.No caso das encostas dos morros, a ocupação desordenada e realizada à revelia dos princípios básicos da drenagem, contribui para agravar os problemas relativos à macrodrenagem, além de torná-las áreas de risco, sujeitas a desmoronamentos, ameaçando, dessa forma, as vidas de seus moradores.[134]

Coleta de resíduos sólidos
  Bairro do Espinheiro, Zona Norte.

Destaca-se na reciclagem, estando na quinta posição no ranking das cidades brasileiras com o melhor índice de arrecadação de resíduos sólidos urbanos para a coleta seletiva no país. Com 1.350 toneladas por mês no recolhimento de resíduos na coleta seletiva.[135]

Os principais elementos da problemática dos resíduos sólidos no Recife ainda são o alto custo da coleta e do destino final (R$ 4 milhões/mês)e o destino final dos resíduos que fica fora do território municipal no bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, em aterro cuja gestão é compartilhada, ficando sob a responsabilidade do Recife as tarefas operacionais; o destino final de resíduos sólidos especiais; os cadáveres de animais recolhidos no Recife ou sacrificados no Centro de Vigilância Animal da Secretaria Municipal de Saúde que atende também ao Município de Olinda; os resíduos hospitalares provenientes das unidades de saúde municipais, estaduais, federais e privadas localizadas no município.[136]

Espaço público
  Protesto contra verticalização na capital pernambucana.

O espaço público tem sido tratado, muitas vezes, com desatenção. Dessa desatenção resultam espaços qualitativamente pouco expressivos, pobres do ponto de vista urbanístico e, frequentemente, pouco atraentes.[137][138] Some-se a esses problemas, a poluição visual e sonora.[139][140][141] É nos bairros de renda alta e média que estão localizadas as praças em bom e regular estado de conservação.[142][143]

Verticalização

O processo de verticalização intensificou-se em determinadas áreas da cidade, como nos bairros de Casa Forte, Torre, Madalena e Ilha do Retiro. Apenas em determinadas áreas não há predominância de área construída em imóveis de até dois pavimentos: em Boa Viagem, na margem esquerda do Rio Capibaribe, em parte da margem direita e em parte do Centro Expandido. O grande problema em termos do processo de verticalização e de adensamento construtivo da cidade é que vem se realizando de forma indiscriminada em parte do território da cidade sem, muitas vezes, ocorrer de forma compatível com a paisagem urbana e com a capacidade das estruturas urbanas.[144][145]

Desvalorização e abandono do Centro
  A descaracterização do casario histórico é um dos problemas enfrentados pelo Recife.[146]

A dinâmica de localização das atividades comerciais, de serviços e industriais, conheceu, ao longo do tempo, profundas transformações. Até a década de 70, o centro abrigava as principais atividades econômicas e institucionais. Com a emergência de um dinâmico mercado imobiliário direcionado às classes médias, os bairros do Espinheiro, Graças e Boa Viagem tornaram-se áreas privilegiadas para esses investimentos imobiliários. Tal processo significou a migração do terciário “nobre” , que se localizava na área central, para esses bairros, particularmente para os seus principais eixos viários.[147]

Ao mesmo tempo, contribuiu para a expansão, na área central e seu entorno, das atividades comerciais e terciárias direcionadas para os segmentos populares.Porém algumas pessoas não observam isso como um problema, e sim, como um sinal de progresso. As pessoas que defendem a teoria da decadência do Centro do Recife diz que o distrito-sede tornou-se bastante desvalorizado e abandonado, fenômeno que também é observado em outras capitais históricas brasileiras, como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Portanto, não existe um consenso (em que todos concordam) sobre a atual situação do centro.[148]

Áreas urbanizáveis e vazios urbanos
  Vista aérea de bairros das Zonas Norte, Noroeste e Oeste do Recife.

Toda a extensão territorial do município do Recife é considerada Zona Urbana, entretanto ainda existem muitos imóveis rurais[149][150] cadastrados apenas pelo INCRA, alguns com dezenas, ou outros com centenas de hectares, alguns já loteados, outros que ainda resistem ao parcelamento para fins urbanos. Estão localizados nas proximidades das rodovias BR 101, BR 232 e BR 408 (TIP -Curado), a oeste da BR 101 e nos limites com Jaboatão, Camaragibe (Aldeia) e Paulista. Algumas dessas áreas estão protegidas por legislação estadual de proteção de mananciais e reservas ecológicas, o que implicará em parâmetros mais restritivos de parcelamento, ocupação e uso para fins urbanos. Outras, entretanto, integram a fronteira de conurbação e de transbordamento do tecido viário do município do Recife. Nos estudos sobre a dinâmica espacial, constatou-se que o processo de urbanização e ocupação da cidade gerou um tecido com muitos vazios. Além disso, encontram-se ainda glebas e grandes terrenos vazios ou subutilizados bem localizados e bem servidos de infra-estrutura, em bairros mais centrais do município do Recife.

Favelização

Nas décadas anteriores, existia a omissão do Estado em relação a uma necessária regulação das propriedades urbanas e sua ação direta, por meio de políticas de desenvolvimento urbano e habitacional, se rebateram numa distribuição seletiva dos investimentos públicos, incentivando a retenção especulativa da terra e restringindo o acesso ao solo urbano e à moradia para a população de baixa renda. Esta população só vem tendo, historicamente, acesso à terra urbana e a alternativas habitacionais mediante ações informais e irregulares de ocupação da terra e padrões de baixíssima qualidade na construção da habitação, em áreas pouco infra-estruturadas e ambientalmente frágeis, com as piores condições de habitabilidade (margens de córregos, áreas de risco geotécnico, entre outras). Porém, desde a década de 2000 a Prefeitura vem fazendo investimentos significativos no setor habitacional[151] O Governo Federal em parceria com o Governo de Pernambuco e com empresas do setor imobiliário[152], no final da década de 2000 também investiu na parte habitacional.

Panorama do Morro da Conceição, Zona Norte da cidade.
Panorama do Morro da Conceição, Zona Norte da cidade.

  Cultura

  Manifestações e espaços culturais

  O Manguebeat, gênero musical recifense que despontou na cena underground dos anos 90, revelou e influenciou diversos grupos musicais e artistas pernambucanos, como Chico Science, Nação Zumbi (foto), Mundo Livre S/A, Cordel do fogo encantado, Fred Zero Quatro, Otto, Lenine, entre muitos outros.

O Recife é berço de escritores, poetas, músicos e vários artistas de muitas formas de expressão.

  Frevo, manifestação oriunda do Recife. Enquanto música, é um dos gêneros mais influentes do país: revelou grandes músicos da MPB e, além de símbolo do Carnaval Recife/Olinda, foi o ritmo utilizado no Carnaval de Salvador antes do surgimento da axé music.

Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Carlos Pena Filho são nomes da poesia do Brasil que retrataram o Recife em suas obras. No município surgiram grandes nomes de todas as áreas do conhecimento, como Paulo Freire, Nelson Rodrigues, Gilberto Freyre, Joaquim Nabuco, Mário Schenberg, Leopoldo Nachbin, Paulo Ribenboim, Israel Vainsencher, entre muitos outros. Na música destaque para nomes como Bezerra da Silva, Lenine, Antônio Nóbrega e Michael Sullivan; e nas artes visuais e design, para nomes como Romero Britto, Francisco Brennand, Vicente do Rego Monteiro e Andree Guittcis; dentre outros tantos.

O município abriga vários museus, centros culturais como por exemplo o Caixa Cultural, Centro Cultural dos Correios e o Centro Cultural Banco Real e instituições voltadas para a promoção de ações artísticas e culturais tais como a centenária Academia Pernambucana de Letras, Academia de Artes e Letras de Pernambuco e o Instituto Ricardo Brennand, um dos mais importantes museus do Brasil, que abriga importante coleção de armaria, gravuras e outras obras de arte abrangendo o período entre a Idade Média e o fim das Invasões holandesas do Brasil.[153] Destacam-se a maior Coleção de pinturas de Frans Post do mundo e as Armaduras Medievais.

  Interior da Galeria Janete Costado, um dos equipamentos culturais do Parque Dona Lindu.

As manifestações culturais mais relevantes de Pernambuco ocorrem na capital, ressaltando-se o Movimento de Escritores Independentes de Pernambuco, que na década de 1980 reuniu grande número de poetas; O Abril Pro Rock, que surge como revelador do Movimento Manguebeat e revelador nacional de bandas como Nação Zumbi e Mundo Livre S/A.[154][155]

Entre os museus têm destaque o Museu do Estado de Pernambuco, que guarda acervo histórico sobre o estado e a cidade, o Museu da Cidade do Recife, que, instalado no Forte das Cinco Pontas, conta boa parte da história do Recife, o museu do Memorial da Justiça, instalado na antiga estação de trem do Brum, o Museu do Homem do Nordeste (idealizado por Gilberto Freyre), e o Museu da Abolição, que foi criado em 1957 pelo governo federal para contar a história dos escravos no Brasil e a abolição.

O Teatro de Santa Isabel é o principal teatro do Recife, compondo importante conjunto arquitetônico e paisagístico na Praça da República com Palácio do Campo das Princesas, Palácio da Justiça e o Liceu de Pernambuco

Os parques mais frequentados são, entre outros, o Parque de esculturas de Francisco Brennand, situado no molhe do Bairro do Recife, de frente à Praça do Marco Zero, museu ao ar livre que abriga 90 obras; o Parque Dona Lindu, localizado na Praia de Boa Viagem, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer; o Parque 13 de Maio, localizado entre as ruas da Saudade, João Lira, Princesa Isabel e do Hospício, na Boa Vista, que é a maior concentração de área verde da cidade; e o Parque Dois Irmãos, maior parque da cidade e uma das maiores áreas de Mata Atlântica de Pernambuco.[156]

  Gastronomia

  Recife é o terceiro polo gastronômico do Brasil e a terceira cidade em número de restaurantes estrelados pelo exigente Guia Quatro Rodas no país, atrás somente de Rio de Janeiro e São Paulo.[157][158]

O Recife é o terceiro maior polo gastronômico do Brasil segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), com cerca de 10 mil estabelecimentos, perdendo apenas para Rio de Janeiro e São Paulo.[159][160] A Rua da Hora, no bairro do Espinheiro, vem se tornando um reduto dessa fase da culinária recifense.[161][162]

Recife é ainda a terceira cidade brasileira em número de restaurantes estrelados pelo exigente Guia Quatro Rodas. 12 estabelecimentos da cidade, que contam com chefs renomados e que vão da cozinha regional às cozinhas lusitana, italiana, francesa, japonesa e peruana, foram agraciados. Outros quatro estabelecimentos pernambucanos receberam a classificação.[163]

Na cozinha pernambucana existem elementos herdados dos povos africanos, indígenas e europeus. Diversas receitas originais provenientes de outros continentes foram adaptadas com ingredientes encontrados com facilidade na região. Existem vários pratos e petiscos típicos e muito apreciados em Pernambuco, como o caldinho de peixe ou camarão, o caranguejo (inteiro), o casquinho de caranguejo, sururu, arrumadinho, escondidinho, carne de sol, charque à brejeira, cozido, peixada pernambucana, caldeirada, bredo de coco, feijão de coco, quibebe, pirão de ovos, bolo pé-de-moleque, bolo de macaxeira, bolo-de-rolo e sarapatel.[164]

  Esportes

  O Náutico, terceiro maior time do Recife, é mandante no Estádio dos Aflitos (foto). A Arena Pernambuco será o estádio do clube a partir de 2013.

O esporte mais popular do município é o futebol.

Recife foi uma das 6 sedes da Copa do Mundo de 1950 (única do Norte-Nordeste). Na capital pernambucana ocorreu uma partida no Estádio da Ilha do Retiro entre Chile e Estados Unidos, com vitória dos chilenos por 5 a 2.[165] Recife também será uma das sedes da Copa do Mundo FIFA de 2014.

  O Santa Cruz, segundo time recifense em número de torcedores, manda os seus jogos no Estádio do Arruda (foto).

Os principais times da cidade são: o Sport Club do Recife, o que mais títulos estaduais possui (39), sendo ainda campeão da Copa do Brasil de 2008, vice-campeão da Copa do Brasil de 1989, vice-campeão da Copa dos Campeões de 2000, Campeão Brasileiro da Série B de 1990 e Campeão Brasileiro de 1987 (título contestado pelo Flamengo);[166][167][168] o Santa Cruz Futebol Clube, com 26 títulos pernambucanos, além de vice-campeão da Série B em 2005 e da Série D em 2011 e 3º colocado no Campeonato Brasileiro de 1975, e detentor de um título de honra, o Fita Azul, concedido aos clubes de futebol que, após suas excursões internacionais, retornavam invictos ao Brasil; e o Clube Náutico Capibaribe, que detém a marca de mais títulos estaduais consecutivos (Hexacampeão), o 2º lugar na Taça Brasil de 1967 e títulos de vice-campeão da Série B nos anos de 1988 e 2011.

O Sport, em parceria com a Faculdade Maurício de Nassau, também participa de competições nacionais de voleibol e basquete.

Outros clubes esportivos importantes no município são o Clube Português e o América Futebol Clube, este último com seis títulos estaduais de futebol.[169][170]

Os maiores times do Recife possuem estádios próprios. O maior estádio construído é o Estádio do Arruda, pertencente ao Santa Cruz. Destaque ainda para a Ilha do Retiro, pertencente ao Sport, e para o Estádio dos Aflitos, que pertence ao Náutico. Um novo e moderno estádio está sendo construído em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, para a Copa do Mundo de 2014. A Arena Pernambuco terá em seu entorno a Cidade da Copa, primeira smart city (cidade inteligente) da América Latina, e seu mandante será o Clube Náutico Capibaribe.[171]

O Sport é o principal clube esportivo da capital pernambucana.  Na foto, a Ilha do Retiro, sede oficial da agremiação e único estádio do Norte-Nordeste que sediou jogo da Copa do Mundo de 1950.
O Sport é o principal clube esportivo da capital pernambucana. Na foto, a Ilha do Retiro, sede oficial da agremiação e único estádio do Norte-Nordeste que sediou jogo da Copa do Mundo de 1950.

  Turismo

  O galo na Ponte Duarte Coelho, símbolo do bloco Galo da Madrugada.

O Recife atrai turistas de todo o mundo. Destacam-se entre os motivos desta atração as manifestações culturais como o Carnaval e o São João. O Recife é o portão de entrada do litoral de Pernambuco de onde partem os turistas que chegam de avião.

  Vida noturna no Recife.

O Recife é um município multicultural, com músicas e danças de origem africana, indígena e brasileira em seu carnaval. O bairro do Recife é o principal conjunto arquitetônico e cultural do município, abrigando galerias, museus e outros espaços culturais. Outros bairros e áreas de interesse são Poço da Panela, Derby, Ponte d'Uchoa, Casa Forte, Santo Antônio, dentre outros.

A cidade abriga a maior agremiação carnavalesca do mundo - o Galo da Madrugada, no qual se estima que participem dois milhões de pessoas (mais que a população do município) vindas de várias partes do Brasil e do mundo.

Num passeio de barco é possível conhecer o Parque das Esculturas de Francisco Brennand. Existe, também, o museu do Instituto Ricardo Brennand.

O litoral do município é completamente urbanizado, com as praias de Boa Viagem, Pina e Brasília Teimosa.

Recife tem o maior número de consulados estrangeiros fora do eixo Rio-São Paulo, sendo inclusive a única cidade, com exceção de São Paulo e do Rio de Janeiro, que tem consulado dos Estados Unidos.[20][172]

Panorama do Recife no natal 2010.
Panorama do Recife no natal 2010.

  Ver também

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Referências

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